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CDU Manual teorico pratico. Odilon Silva.pdf

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C D U
Classificação Decimal
Universal
Manual teórico-prático para uso dos alunos da
disciplina CLASSIFICAÇÃO no Departamento de
Ciência da Informação e Documentação da
Universidade de Brasília, elaborado pelo professor
Odilon Pereira da Silva
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S U M Á R I O
0 INTRODUÇÃO
1 SISTEMA CDU
O QUE É
ORIGEM E DESENVOLVIMENTO
CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS
DECIMALIDADE
UNIVERSALIDADE
CARÁTER HIERÁRQUICO
CARÁTER ANALÍTICO-SINTÉTICO
2 ESTRUTURA GERAL
NOTAÇÕES PRINCIPAIS
NOTAÇÕES AUXILIARES
3 MECÂNICA DO SISTEMA CDU
SÍNTESE
ORDEM DE CITAÇÃO
ORDEM DE ARQUIVAMENTO
LEMBRETES
4 TABELAS AUXILIARES
5 ADMINISTRAÇÃO DA CDU
EDIÇÕES DA CDU
ATUALIZAÇÃO DO SISTEMA
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3
0 INTRODUÇÃO
Tradicionalmente incluídas entre as disciplinas denominadas técnicas dos cursos de
Biblioteconomia e Documentação, e, mais recentemente, no grupo das chamadas
linguagens documentárias (preocupadas todas com a análise de conteúdo dos documentos
e sua representação através de símbolos convencionais), as classificações vêm perdendo
terreno e prestígio para a indexação sob suas diversas formas.
O advento do computador e sua paulatina conquista dos arraiais da informação
aceleraram o processo de obliteração dos sistemas de classificação, visto que essa nova
tecnologia mostrou, em seus primórdios, uma inabilidade insuperável para trabalhar com
sistemas de conceitos representados por símbolos convencionais, mas de conhecimento e
uso restritos, preferindo o manuseio de formas verbais, de elementos retirados da
linguagem natural. Era o óbvio. E era com o óbvio e com dados precisos, com nomes
próprios, números, datas, quantidades, etc., que aqueles engenhos maravilhosos sabiam
lidar. Os sistemas de classificação, demasiado estruturados, articulados, complexos,
engenhosos, superavam a capacidade intelectiva daqueles monstros sagrados da
tecnologia moderna.
Do esforço de superação das dificuldades encontradas ao tentarem por de parte os
sistemas de classificação, nasceram os primeiros índices automáticos, verdadeiras
"
obras-
primas
"
da criatividade e da inteligência humanas, que, com nomes adequados à era das
siglas, das senhas, dos estrangeirismos e dos hermetismos, se denominavam KWIC,
KWOC, KWAC, PRECIS, THESAURUS, etc. Constituíram-se eles em instrumentos
valiosos na busca do Santo Graal da "Ciência da Informação", que atende pelo nome, tão
pomposo quanto contraditório, de Inteligência Artificial, em que apenas a característica
representada pelo adjunto adnominal é verdadeira, pois não foi ainda (sê-lo-á algum dia?)
construído um artefato com as características da única inteligência conhecida até aqui
"
sub
sole":
a humana, natural, protótipo da outra, que não chega a ser-lhe um pálido
arremedo.
Com o passar dos anos; com o desenvolvimento da tecnologia de
"
softwares
"
na
área; em decorrência da crescente familiarização dos tecnólogos da Informática com os
fenômenos compreendidos no processo da informação, e como conseqüência do
desenvolvimento e capacitação dos equipamentos de
"hardware
"
para a manipulação de
um volume cada vez mais vasto e complexo de dados, foi possível um repensar e um
refinar dos instrumentos originalmente adotados pelos corifeus da informação
automatizada. Aqueles arcabouços de índices (KWICs, KWOCs, KWACs e quejandos) e
os tesauros incipientes foram adquirindo um grau cada vez maior de estruturação e de
refinamento, até o ponto de se aproximarem bastante das verdadeiras linguagens, naquilo
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que elas possuem de particularmente característico: uma morfologia, uma sintaxe, uma
semântica, e, até mesmo, uma fonética. Tal repensar e tal redirecionar levaram os
instrumentos máximos representativos das linguagens documentárias da era do
computador, os tesauros, de volta aos sistemas de classificação, particularmente aos
hierárquicos e aos facetados, de ambos sendo selecionadas e adotadas as características
básicas que vieram emprestar-lhes respeitabilidade e aceitação cada vez mais crescentes,
tornando-os, em suas versões mais apuradas, verdadeiras sínteses das duas linguagens
mais tradicionais da Biblioteconomia: a Indexação e a Classificação. Seria por mero
acaso que está sendo cunhado mais um neologismo para enriquecer (?) o extenso
vocabulário de étimos híbridos (verdadeiros monstrengos) das
"
Ciências da Informação
"
,
atribuindo a essa síntese o nome de
"
classauros"
? Há, entretanto (lamentavelmente),
que reconhecer a provável irreversibilidade dos fatos: a indexação e os tesauros se
impuseram como instrumentos predominantes para a armazenagem e a recuperação da
informação neste mundo cibernético. Aos sistemas de classificação tradicionais resta seu
outro papel, também tradicional, e não menos nobre, de instrumento não apenas útil, mas
até mesmo, talvez, insuperável, por eficiente, no arranjo das coleções de documentos de
qualquer natureza e em qualquer tipo de suporte.
Esta parece-nos uma das razões para
que se continue a ministrar cursos de Classificação Bibliográfica nas escolas. Esta a razão
de se continuar a escrever livros sobre sistemas de classificação do passado. Mas não
deve ser desprezado um motivo talvez maior: o conhecimento de algo que faz parte da
trajetória de nosso desenvolvimento técnico-profissional, e que, até hoje, embora com
suas funções reduzidas, continua a prestar colaboração inestimável, nos cinco
continentes, à tarefa ingente e gloriosa de organização dos registros do conhecimento e
do próprio conhecimento, como parte do esforço humano coletivo de melhorar, de
progredir, de recuar fronteiras.
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1
O SISTEMA CDU
O QUE É
Abreviada e internacionalmente conhecida pela sigla CDU (nos países de língua
portuguesa), é um sistema de conceitos hierarquicamente estruturados em grandes
classes, destinado à classificação do conhecimento e dos suportes físicos de seu registro,
a que denominamos genericamente documentos: livros, folhetos, revistas, discos, fitas de
áudio, discos fonográficos convencionais, discos
"laser
"
, etc.
Como qualquer sistema, constitui-se de uma estrutura de partes intimamente
relacionadas, com funções específicas dentro do todo, contribuindo e interagindo cada
uma delas para o objetivo do conjunto. Quatro grandes partes avultam de imediato como
constituindo a essência do Sistema: um conjunto de dez Classes Principais de categorias
do conhecimento, a que se acrescentam dois grupos distintos de Subdivisões Auxiliares:
Comuns e Especiais, mais um Índice Alfabético relativo aos conceitos compreendidos
pelas Tabelas Principais e Auxiliares.
ORIGEM E DESENVOLVIMENTO
A idéia de representar o conhecimento a partir de sua divisão em base decimal para
criação de uma sistema de classificação bibliográfica já se encontrava presente no sistema
que deu origem à CDU, a classificação Decimal de Melvil Dewey (1851-1931), cuja
primeira edição data de 1876. O próprio Dewey ter-se-ia inspirado em trabalho do físico
André Marie Ampère, que no século anterior já empregara notação decimal como código
de classificação de documentos.
O esquema original de Dewey, a princípio muito parco de recursos, foi aos poucos
sofrendo alterações ao mesmo impostas pelos usuários, que já não se restringiam aos
muros do Amherst College, de Massachussetts, mas se encontravam espalhados pela
vastidão do território norte-americano e do mundo de cultura inglesa.
Sua contribuição para o estabelecimento e a permanência, até hoje, da predominância do
assunto, ou tema, como critério maior de organização do conhecimento e dos livrosnas
bibliotecas, foi inestimável. E foi exatamente por perceber-lhe esta virtude, que dois
humanistas belgas, Paul Otlet e Henri La Fontaine, decidiram, no final do século passado,